Divindade da caça que vive nas florestas, seus principais símbolos são o arco e flecha, que é chamado de Ofá, mais um rabo de boi chamado Eruexim. Oxóssi é irmão de Ogum e de Exú.
Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos, filho de Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por Oxum.
Oxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição, e caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras. Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois são nefastas à caça.
Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de caçador. Ossãe apaixonou-se pela beleza de Oxossi e prendeu-o na floresta. Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.
Orixá das matas, seu habitate é a mata fechada, rei da floresta e da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e RIQUEZA ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossaê, que é a divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.
Irmão de Ogum, habitualmente associa-se à figura de um caçador, passando a seus filhos algumas das principais características necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.
Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que Ogum.

Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é “corrido” na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.
Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.
Oxossi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.
AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXÓSSI
O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.
Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.
No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.
O psicológico do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como “complicados”. É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.
Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a ser relativamente magros, um pouco nervosos, mas NÃO FORA DO NORMAL, controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.
Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.
Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Oxossi, compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.
Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos. É portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.
São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.
A COZINHA DE OXOSSI
- AXOXÔ
- QUIBEBE
- PAMONHA, entre outras várias.
CABOCLO NA CULTURA BRASILEIRA E NA UMBANDA
A LINHA DOS CABOCLOS
Todos os Caboclos são regidos por um Mistério Maior que pertence ao Trono do Conhecimento (Regência do Orixá Oxóssi).
Mas cada Caboclo (ou Cabocla) vem na Irradiação de um ou mais Orixás, pois eles próprios são “filhos”de determinado Orixá e perante outros Orixás foram iniciados para trabalharem em Seus Mistérios (exemplos: Caboclo Pena Branca: de Óxóssi e Oxalá; Caboclo Pena Dourada: de Oxóssi e Oxum; Cabocla do Mar: de Yemanjá; Caboclo Sete Montanhas: de Oxalá e Xangô).
Os Caboclos são espíritos muito esclarecidos e caridosos, assim como os Pretos-Velhos. Tiveram encarnações como cientistas, sábios, magos, professores etc. Alguns, em determinada encarnação, foram mesmo nativos (chamados de indígenas, aqui no Brasil). Enfim, no decorrer de encarnações, elevaram-se e vêm na Umbanda para auxiliar aos irmãos enfermos da alma e do corpo. Muitos são escolhidos pela Espiritualidade para serem os Guias-Chefes dos Terreiros ou então de seus médiuns.
Na linguagem comum, a palavra “caboclo” designa o homem nativo, às vezes mestiço de branco com indígena. Mas na Umbanda o significado é outro.
Os espíritos que se apresentam na Umbanda como Caboclos assumem a forma plasmada de "índios" em homenagem aos povos nativos do Brasil e de outras regiões do globo, que nutriam uma forte relação de amor e de respeito à Natureza e muito contribuíram com seus conhecimentos e valores morais e culturais para a formação da nossa Pátria. (V. “Arquétipos da Umbanda”, Rubens Saraceni, Madras Editora, 2007, páginas 89/94.)
Nem todo Caboclo foi, necessariamente, um indígena.
Para melhor entendimento busquei em livros.
- RUBENS SARACENI explica que, há séculos, houve um momento em que os Regentes Planetários idealizaram uma estrutura de Trabalho Espiritual que reuniria espíritos desencarnados originários das mais diferentes religiões e culturas do planeta, arregimentados a partir de determinado grau espiritual, ético, moral e de conhecimentos.
Formaram-se grupos por afinidades (de valores culturais e morais, de especialidades etc.), porém todos voltados a um único propósito: ajudarem-se mutuamente na tarefa de auxílio à evolução de encarnados e desencarnados em geral. Com isto, também aceleravam as próprias evoluções, pois estavam realizando algo inédito: até então, os desencarnados se agrupavam no Astral conforme suas origens aqui na Terra, e ajudavam apenas aos “da sua gente”. Agora, a Espiritualidade punha em prática um verdadeiro Universalismo, reunindo num trabalho comum representantes de todas as religiões e crenças antigas, muitas já desaparecidas da face do planeta. Com o tempo, levas e levas de espíritos que desencarnavam puderam filiar-se àqueles grupos.
Portanto, os espíritos que atuam na Umbanda como Caboclos têm origens culturais e religiosas diversas, e nem todos foram indígenas (assim como nem todo Preto-Velho foi um Negro escravizado). O que lhes dá “ a patente” de Caboclo é o seu grau de elevação perante as Leis do Criador. São espíritos que habitam da 4ª Faixa Vibratória Positiva para cima e que trazem no íntimo um profundo senso de Fraternidade e Irmandade para com toda a Criação Divina.
Dentro da Linha de Caboclos há, portanto, espíritos com diferentes graus de elevação. Fato que explica toda uma hierarquia, onde encontramos: ●aqueles que deram nome às Falanges e que NÃO incorporam (habitam na 7ª e 6ª Faixas de Luz, onde já não têm um corpo plasmado, são apenas Luz); ●outros, vindos da 4ª e 5ª Esferas Positivas, e de diferentes graus, que se integram nas Falanges (e Sub-falanges etc.) e se manifestam entre nós; sendo TODOS eles mais adiantados e elevados que seus médiuns. São espíritos evoluídos que OPTARAM por apresentar-se dentro do Arquétipo do homem nativo, aquele que sempre viveu em contato direto com a Natureza e que já trazia consigo um profundo senso de amor e respeito por todos os seres e elementos à sua volta (terra, água, plantas, animais, pedras etc.) e de harmonia com todas as forças e fenômenos naturais (sol, lua, chuva, dia, noite, estações climáticas etc.).
A presença dos
Caboclos nas Giras de Umbanda nos leva a refletir sobre a importância do meio natural que nos acolheu e nos ajuda a compreender que somos parte da Criação Divina e, por isso mesmo, precisamos viver em harmonia com o Todo. Eles são um exemplo de forma de vida simples, natural, livre de preconceitos e artifícios, de arrogância e de vaidade. Sua atuação junto de nós é libertadora, própria daqueles que evoluíram.
Caboclos e Pretos-Velhos manipulam ervas de todos os Orixás porque têm essa autorização e conhecimento, conforme o grau elevado que os distingue.
Existem Falanges de doutrinadores, de guerreiros, de “feiticeiros” (isto é, que atuam mais fortemente na quebra de magias negativas), de curadores, de justiceiros etc.
Os Caboclos são profundos conhecedores das
ervas e dos seus princípios ativos. Suas “receitas” (banhos, defumações, oferendas etc.) costumam produzir curas inesperadas. Conhecem como ninguém o Reino Vegetal e podem nos ensinar o valor e a melhor utilização das ervas e dos alimentos vindos da terra.
Também grandes conhecedores da Magia, nos seus trabalhos costumam utilizar pembas, velas, essências, flores, ervas, pedras, frutas, vinho, sumo de ervas, raízes, cipós e sementes, entre outros elementos. Usam charutos e fumos à base de ervas para defumar o ambiente e as pessoas presentes, recolhendo e neutralizando as cargas densas que os envolvam.
Sua forte carga magnética nos impulsiona a ir em
frente, a enfrentar os obstáculos com coragem e determinação. Porque Caboclo é o Arquétipo do guerreiro corajoso, valente, simples, honrado, justo e harmonizado com as Forças da Mãe Natureza. Pela simples presença entre nós, quando incorporados em seus médiuns, já nos imantam com essas fortes energias e nos estimulam a conseguir nossos objetivos. São “caçadores”, vão buscar e nos ensinam a buscar o melhor para a nossa evolução.
Grandes doutrinadores e disciplinadores, são muito atuantes na orientação de sessões de desenvolvimento mediúnico, uma vez que os Guias Espirituais agem principalmente sobre o mental do médium, que está relacionado ao Chakra Frontal, regido por Pai Oxóssi, justamente o Regente do Mistério Caboclo.
Também atuam nas desobsessões, na solução de problemas
psíquicos e materiais, na quebra de demandas, entre outros trabalhos espirituais de Umbanda, utilizando vários recursos magísticos nos quais são iniciados. Não ostentam conhecimentos, colocam-nos em prática!
Seus assobios e brados assemelham-se a mantras. Cada Caboclo emite um som, de acordo
com o trabalho que vai realizar, criando condições que facilitem a incorporação e liberando bloqueios energéticos dos médiuns e consulentes. Os assobios traduzem sons básicos das Forças da Natureza, dão um impulso no campo magnético (corpo espiritual) do médium para direcioná-lo corretamente, liberando-o de cargas negativas, larvas e miasmas astrais. Nos consulentes, produzem igual efeito.
Os Caboclos incorporados também costumam estalar os dedos, bater no peito e estender o braço na direção do Altar. Tudo isto tem um significado magístico-religioso:
●Estalar dos dedos- Nossas mãos têm vários terminais nervosos que se comunicam com os sete chakras principais e com os chakras menores do nosso corpo. O estalar dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (a parte gordinha da palma da mão) e reequilibra a rotação e a frequência de todos os chakras, que voltam a funcionar plenamente. O equilíbrio vibracional gera a consequente descarga de energias desequilibradas (“negativas”). Ao estalar os dedos, o Caboclo provoca essas reações no campo magnético do médium ou, conforme o caso, descarrega o campo do consulente. Ao estalar os dedos da mão esquerda, ele absorve negatividades e faz uma limpeza energética; e quando estala os da mão direita, ele irradia cargas altamente positivas e reenergiza, acalma, cura etc.
●Bater no peito- Com isso, o Caboclo ativa o chakra Cardíaco do médium e equilibra suas emoções, possibilitando uma sintonia mais apurada com o medianeiro e a efetivação de um bom trabalho espiritual.
●Estender os braços (ou um braço) para o Altar- Com esse gesto, o Caboclo lança uma “flecha energética” que ativa os Poderes e Forças assentados e firmados no Terreiro, conforme a necessidade do trabalho espiritual a realizar.
Esses procedimentos criam um grande centro de Forças que facilita o amparo aos consulentes, ao próprio Terreiro e a toda a corrente mediúnica.
Alguns Caboclos, quando se despedem do Terreiro, dizem que vão “para Aruanda”, ou “para a cidade da Jurema”. Outros falam que vão “subir para o Humaitá”, e assim por diante. São referências às colônias astrais que existem ligadas ao planeta Terra, onde eles habitam, conforme o respectivo grau de evolução. E muitas vezes os Caboclos responsáveis por Terreiros levam para essas colônias os dirigentes e demais integrantes da corrente mediúnica (durante o desdobramento normal dos seus espíritos que acontece durante o sono físico), a fim de participarem de trabalhos de auxílio a encarnados e desencarnados, para estudarem e ou receberem. Um trabalho espiritual de Umbanda não termina no Terreiro, ele prossegue no Astral. Por isso, é importante que os médiuns sigam as orientações dos Guias Espirituais sobre os preceitos para antes e depois das Giras (manter pensamentos e sentimentos elevados e uma vida diária equilibrada, inclusive no campo sexual; abster-se, ao menos por 48 horas antes e depois do trabalho espiritual, do uso de bebida alcoólica, fumo e de qualquer substância nociva, mantendo uma alimentação isenta de alimentos de origem animal, porque são de difícil digestão e demais preceitos dados na ocasião.).
Muitos perguntam o porquê de uma Linha de Trabalho Espiritual “homenagear” os povos nativos, supondo que eles seriam ignorantes e primitivos.
Para desfazer essa dúvida, vou postar trechos do livro “MUITO ANTES DE 1500”, de DOMINGOS MAGARINOS, que trata sobre as crenças e cultos religiosos dos povos nativos do Brasil e da América, com base em pesquisas realizadas por vários especialistas.
O Autor aponta que os povos nativos (“indígenas”) da América, na época do descobrimento, mantinham cultos muito parecidos com os das culturas indiana, egípcia e grega. Eles já cultuavam a Cruz, o Sol e O Menino Louro ou Menino Deus (seria o Menino Jesus dos cristãos). Isso indicaria uma origem comum entre essas culturas e a dos povos americanos.
... retomando:
Ainda que os Caboclos da Umbanda fossem “apenas” espíritos de indígenas (e já foi visto que não é assim), está aí demonstrado o grande valor cultural e religioso dos povos nativos que esta Linha homenageia. Só isto bastaria para nos sentirmos abençoados pela Misericórdia Divina, pela possibilidade de entrarmos em contato com esses espíritos tão valorosos e simples.
Que possamos ter sempre a bênção dos Caboclos e das Caboclas em nossas vidas. Salve os Caboclos da Umbanda!
Quanto aos NOMES: Tupinambá; Jurema; Sete Flechas; Pena Branca; Pena Verde; Pena Roxa; Pena Dourada; Pena Vermelha; Pena Amarela; Pena Azul; Pena Marrom; Cobra Coral; Arranca Toco; Iara; Jaci; Tupi; Araribóia; Toco; Jupiara; Caboclo do Sol; Caboclo da Lua; Estrela; Giramundo; da Cachoeira; Sete Pedreiras; Sete Montanhas; Sete Espadas; Flecha Branca; Folha Branca; Sete Penas; Sete Folhas; Ventania; Rompe Mato; Urubatão; Ubirajara; Aimoré etc.
Alguns nomes revelam os Orixás regentes dessas Entidades e o seu campo específico de trabalho.
Seguem alguns exemplos de nomes que encontrei:
I- Caboclos que têm nome em tupi-guarani: Exemplos: Tupã, Tupi, Tupinambá, Aimoré, Icaraí, Ubirajara, Urubatão, Urubatã, Jaci, Indaiá, Jacira.
Para saber qual Orixá os rege e lhes dá um campo específico de atuação, precisamos traduzir o nome.
Exemplos:
CABOCLO ICARAÍ- Icaraí significa “água santa”. A água é um elemento de Yemanjá. O que torna algo “santo” é a Presença de Deus (o Alto do Altíssimo); e o Orixá que representa o mais Sagrado é Oxalá (porque rege o Sentido da Fé, base da religião). Logo, é um Caboclo de Oxóssi, Yemanjá e Oxalá;
CABOCLO TUPINAMBÁ- Tupinambá significa “filhos de Tupi” (ou de Tupã). Tupi é a Raiz, o Pai. Por analogia, o Orixá Oxalá é “o Pai” (porque o Seu Fator Magnetizador é a base da Criação). Logo, é um Caboclo de Oxóssi e Oxalá;
CABOCLO URUBATÃO- Urubatão (ou Urubatã) significa “madeira dura”. Madeira vem de árvore=Oxóssi; mas a madeira é a árvore que foi cortada e passou por uma transformação= Obaluayê; e dura= dureza= força=Ogum. É um Caboclo de Oxóssi, Obaluayê e Ogum;
CABOCLO URUBATÃO DA GUIA-Valem as explicações anteriores. Acrescente-se que “guia” vem de “estrela guia”, um símbolo de Oxalá. Logo, este Caboclo é de Oxóssi, Obaluayê, Ogum e Oxalá;
CABOCLO UBIRAJARA- Ubirajara significa “o atirador de lança”. A lança é de Ogum. Logo, é de Oxóssi e Ogum.
CABOCLA JACI- Jaci é “a deusa da lua”, que é associada às Divindades Ísis (egípcia) e Lakshmi (hindu). Estas, por sua vez, são relacionadas a Oxum. Logo, seria uma Cabocla de Oxóssi e Oxum. Mas a lua também pode ser associada a Oyá-Tempo, Yemanjá e Nanã, de modo que pode ser uma Cabocla com essas regências.
CABOCLA JACIRA- Jacira significa “inseto que produz mel”. Quem produz mel é a abelha, que pertence ao reino de Oxóssi. Mas o mel também representa a doçura, que se associa a Oxum. Logo, é uma Cabocla de Oxóssi e Oxum.
CABOCLO (A) INDAIÁ- Indaiá, em tupi-guarani, é um tipo de palmeira. Sendo um elemento vegetal, está ligado a Oxóssi. Seria um Caboclo (a) na Irradiação pura de Oxóssi.
II- Caboclo “Pena”: Todo Caboclo Pena traz uma qualidade voltada para ensinar, doutrinar. A pena é de Oxóssi, Orixá do Conhecimento.
Nessa Falange, temos: ●Caboclo Pena Branca- o branco é a cor de Oxalá; logo, é um Caboclo voltado para ensinar a Fé (é de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Pena Dourada- o dourado é uma cor de Oxum; logo, vem para ensinar o Amor (é de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Pena Verde- o verde é de Oxóssi; logo, vem para expandir o Conhecimento; (atua na Irradiação pura de Oxóssi); ●Caboclo Pena Marrom- o marrom é de Xangô; logo, vem para ensinar a Justiça (é de Oxóssi e Xangô); ●Caboclo Pena Vermelha- o vermelho é de Ogum; logo, vem para o ensino da Lei (é de Oxóssi e Ogum); etc. A cor que aparece no nome do Caboclo indica a qual Orixá está relacionado e em qual Sentido da Vida ele vai atuar, especificamente.
No caso do Caboclo Sete Penas, o “sete” indica que ele atua nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, na Irradiação de todos os Orixás, sendo um doutrinador de almas.
III- Caboclo “Flecha”: Todo Caboclo Flecha traz duas qualidades fundamentais: uma voltada para o Conhecimento (pois a flecha é de Oxóssi) e a outra voltada para o Sentido da Direção (porque a flecha também aponta numa direção, ela dá direção- Qualidade de Yansã). São Caboclos que atuam para dar um direcionamento na busca do Conhecimento, na expansão do nosso aprendizado. E a cor que aparecer no nome do Caboclo dará o campo específico da sua atuação.
Nessa Falange, temos: ●Caboclo Flecha Branca= direcionador do Conhecimento no campo de Oxalá= Fé; ●Caboclo Flecha Dourada= direcionador do Conhecimento no campo de Oxum= Amor; etc.
Já o Caboclo Sete Flechas é um direcionador do Conhecimento nos Sete Sentidos da Vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). É um direcionador de almas, de espíritos.
IV- Caboclo “Folha”: Todo Caboclo Folha traz qualidades de Oxóssi, pois a folha é de Oxóssi, o Senhor do Reino Vegetal. E a cor da folha indicará qual outro Orixá os rege e o campo específico de suas atuações.
Nessa Falange, temos: ●Caboclo Folha Branca (de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Folha Dourada (de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Folha Verde (Irradiação pura de Oxóssi); etc.
Quanto ao Caboclo Sete Folhas, há uma particularidade: a folha serve para curar; e o Orixá “dono de todas as folhas” e que cura pelas folhas é Ossaim. Como o Caboclo Sete Folhas trabalha com todas as folhas (nas sete Irradiações), vemos que traz qualidades de Ossaim. (Ossaim não é cultuado diretamente na Umbanda, e sim dentro do campo de Oxóssi.)
V- Caboclo “Pemba”: Todo Caboclo Pemba traz qualidades de Oxum (Trono Mineral), pois a pemba é um mineral. São Caboclos de Oxóssi e Oxum. Oxóssi traz o Conhecimento e a expansão; Oxum é agregadora, atrai e reúne com harmonia.
Como nos exemplos anteriores, a cor que aparece no nome (Pemba Branca, Pemba Roxa etc.) indica o campo específico da sua atuação. Já o Caboclo Sete Pembas atua nos Sete Sentidos da Vida. (Fonte dos itens I/V: Anotações de aula do Curso Virtual de Teologia de Umbanda ministrado por Alexandre Cumino, turma 11, Plataforma EAD do Instituto Cultural Aruanda.)
VI- Outros nomes:
●Os elementos, pontos de forças, as cores, instrumentos (flecha, escudo etc.) e condições climáticas que aparecem no nome do Caboclo dão uma indicação do Orixá que o rege e do seu campo de atuação. Exemplos: Caboclo dos Rios (Oxum); Caboclo Ventania (ventania= ar em movimento= Yansã); Caboclo do Fogo (Xangô); Caboclo da Terra (Omolu); Caboclo do Mar (Yemanjá); Caboclo do Ouro (Oxum); Caboclo do Lago (Nanã); etc.
●Há nomes ligados a verbos ou ações. Exemplos: Caboclo Rompe-Mato: romper é um ato de força= Ogum; mato= Oxóssi; logo, é de Oxóssi e Ogum; Caboclo Quebra Pedra: quebrar= Ogum; pedra= mineral=Oxum; logo, é de Ogum e Oxum.
●Os nomes de animais, em especial os de felinos (gato, jaguatirica, leopardo, leão, onça, tigre, pantera, jaguar), em geral estão diretamente associados a Oxóssi, que é o Senhor do Reino Vegetal (flora) e também da fauna (animais).
Mas alguns têm outras particularidades. Exemplo: CABOCLO COBRA CORAL. A cobra é um animal associado ao Orixá Oxumarê (a Serpente de Dan). E a cobra coral tem as cores vermelha (de Ogum), preta (de Omolu), amarela (de Yansã) e branca (de Oxalá). Logo, é um Caboclo que atua na Irradiação de Oxumarê, Ogum, Omolu, Yansã e Oxalá. (Fonte: Rubens Saraceni, “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada” e “Tratado Geral de Umbanda”, ambos da Madras Editora.)
*Gostaria que esse texto nao tivesse interpretação injeçada, mais sim que tratassemos cada caso como um caso e sempre lembrando que os BUZIUS sabem e esclarecem quaisquer duvidas. Gostaria também de falar sobre os BOIADEIROS, muito cultuado na Umbanda, em especial na nossa Casa, mais ficará para outra postagem.
Casa Ogun Beira Mar